terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

buraquinhos

era uma vez a cuequinha rasgada. a cuequinha nunca foi lá grande coisa, até pode-se dizer que durou pouco mais que o esperado, mas a vida é repleta de surpresas minúsculas e a cuequinha, cujo futuro anterior ao indistinto desfecho seria evidentemente tornar-se pano para polir movéis, fundiu-se em um corpo confuso em um. as outras, brancas de algodão, encardiam de inveja da cuequinha rasgada. um corpo, por mais confuso que fosse, sempre seria mais confortável que uma gaveta escura cheia de baratas mortas fedendo a naftalina. no entanto, um corpo confuso amava tanto a cuequinha que chegava a desgastá-la, enchendo-a de buraquinhos por todas as partes. o tempo ia desfiando cada vez mais a cuequinha, até que um dia a pobrezinha não aguentou e rompeu-se em trapos. no dia seguinte, lia-se nas manchetes de jornais em letras garrafais:"corpo seminu é encontrado com região pélvica perfurada em banheira de sangue".

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