quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

à espera do eng. carmona




preciso sair. sentir o sol que cora a morena e depois seca tudo: flor, espinho e primavera. o mormaço de fora, convidativo, bate à porta e pede um copo d’água (chapéu apertado contra o peito, estendendo a cálida e humilde mão): - faz o favor? sair se torna preciso. sensação de ficar entre a cruz e o diabo, quero dizer... ar-condicionado. o tempo congelado do lado de dentro, o tempo com motor envenenado do lado de fora. desassossego de abalos sísmicos que assombra a cada meia hora. suo entre os braços, gota a gota, contrariando às leis do antitranspirante. então penso: logo existo (menos mal). perambulo de um lado pro outro, perco coisas, tornando o calor mais pavoroso – pobre de mim sem protetor solar. finalmente acendo um cigarro, sento e relaxo: logo fico (uff! menos mal).



Rio, 9/12/08.

Um comentário:

Larissa Marques disse...

Depois dizem que não há poesia no cotidiano!
Adorei a prosa poética de um quase desistente, mas que ainda quer o sol!
Gostei!